Quarta-Feira, 19 de Novembro de 2008
E aí, vamos de rodízio? -  Texto do jornalista Antenor Pinheiro, publicado no jornal O Popular Clique aqui.

O Turismo como instrumento de geração de riqueza e inclusão social - Leia artigo de Marina publicado no jornal Diário da Manhã. Presidenta da CDES da Câmara de Goiânia, a vereadora é autora de Projetos de Lei que pretendem instituir Plano e Conferência Municipais de Turismo Clique aqui.

Mulher na Política: Criatividade e Sensibilidade para Avançar nos Espaços Públicos - Confira artigo escrito pela Vereadora Marina Sant´Anna Clique aqui.

Sistema e Fundo de Habitação de Interesse Social: instrumentos necessários para mudar a realidade habitacional no País e em Goiânia - Leia artigo de Marina sobre o tema. Vereadora é autora de emenda a Projeto do Executivo que cria o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social Clique aqui.

Leia íntegra de entrevista da Vereadora Marina Sant´Anna ao jornal Tribuna do Planalto Clique aqui.

Lugar de Mulher é na Política - Leia artigo da Vereadora Marina Sant´Anna publicado no jornal Diário da Manhã Clique aqui.

Marina: O Orçamento Público como instrumento democrático de participação popular. Confira artigo assinado pela vereadora sobre o tema Clique aqui.

Ciência e Tecnologia a serviço da democracia - Leia artigo de Marina Sant´Anna, autora de lei que destina 0,5% do orçamento municipal para a C&T em Goiânia Clique aqui.

Democracia e Parlamento - Confira artigo da vereadora Marina Sant´Anna publicado pela Fundação Perseu Abramo, no livro Democratização do Parlamento - Alargando as Fronteiras da Representação e da Participação Política 
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Blog da Marina








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20/01/2007 às 08h35min
Nossa cultura nas relações de poder

Que é preciso avançar, ninguém tem dúvida. Nossa história nos oferece subsídios importantes para pensarmos em mecanismos de ampliação da democracia brasileira. Não falo em democracia como quem se satisfaz apenas com eleições gerais. Elas são importantes para a escolha da representação temporária dos governos, mas não são, absolutamente, suficientes para gerar desenvolvimento sustentável, distribuição de renda, planejamento participativo e transparente. Ou seja, que a sociedade opte pelos caminhos que estão sendo tomados e participe com mecanismos modernos e eficientes da execução dessas metas.

O Presidente Lula tem dito que é preciso destravar o estado brasileiro e seu aparato, de modo a garantir avanço nas tarefas que lhe cabe, correspondendo ao que as urnas decidiram sobre o projeto em andamento e a ser colocado em prática em nosso país.

Li com muito prazer o livro de Eduardo Bueno, lançado ano passado, "A Coroa, A Cruz e A Espada", Objetiva, e reparto com vocês alguns trechos, que falam do período colonial do Brasil.

"Com o passar dos anos, desembargadores, juízes, ouvidores, escrivães, meirinhos, cobradores de impostos, vedores, almoxarifes, administradores e burocratas em geral - os chamados letrados - encontraram-se em posição sólida o bastante para instituir uma espécie de poder paralelo, um quase Estado que, de certo modo, conseguiria arrebatar das mãos do rei as funções administrativas. Esse funcionalismo tratou de articular também fórmulas legais e informais para se transformar em um grupo autoperpetuador, na medida em que cargos eram passados de pai para filho, ou então para parentes e amigos próximos.

Embora recebessem altos salários, muitos burocratas engordavam seus rendimentos com propinas e desvio de verbas públicas. Inúmeras evidências permitem afirmar que, na península ibérica, a máquina administrativa não era apenas ineficiente, mas corrupta. Outra de suas características mais notórias é que o número de funcionários destacados para o cumprimento de qualquer função revelava-se, na maioria dos casos, bem superior ao necessário para a realização do trabalho." (pág.34)

"Quando os pregões de arrematação das empreitadas se encerravam, o nome do vencedor, anunciado com alguma solenidade pelo porteiro da Câmara, raramente causava surpresa. Os empreiteiros loteavam as obras em si, combinando os lances antecipadamente, muitas vezes em conluio com o leiloeiro, e superfaturando o custo das obras." (pág.125)

"As posturas e resoluções da Câmara de Vereadores ficavam nos papéis públicos. Cada qual construía sua casa e corria sua cerca à feição de suas comodidades e interesses. Não é raro ler-se, nas vereações daquele tempo, a declaração de um indivíduo que invade uma rua com o alpendre de sua casa, ou com algumas das dependências dela, com a promessa de tudo desmanchar quando nessa rua houver mais trânsito e lhe for a demolição reclamada." (pág.115, texto incluído de Teodoro Sampaio, sobre a construção de Salvador)

A Capitania de Pernambuco "era a única na qual o projeto de ocupação por obra da iniciativa privada fora bem-sucedido" (pág.145)

Estes trechos não resumem as abordagens todas do livro, naturalmente, mas são interessantes porque ressaltam a relação entre o público e o privado no primeiro período após a entrada dos portugueses no Brasil, com a ocupação da faixa litorânea.

Nossa cultura política ganha novos conteúdos à medida dos movimentos que fazemos. Todos e todas.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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19/01/2007 às 09h42min
Mariza Soares

Ontem à tarde, quinta-feira, estava com Pedro Wilson, nosso deputado federal e ex-prefeito de Goiânia, quando chegou a notícia da morte da Mariza. Pedro Wilson recebeu a informação do que ocorrera de uma so vez e foi mudando a feição, abalado com o que estava ouvindo. Desligou o telefone e me falou: a Mariza, da Arquitetura, morreu. Ficamos parados por um tempo, sem palavras.

Desse momento até agora, após ligar para alguns amigos comuns, o sorriso dela não sai dos meus olhos. Aquele jeito provocador de falar, sorrir, olhar. O abraço meigo, cumpliciado.

Ela e Raul de mãos dadas nos shoppings, nas festas, nas ruas...

Não vou, neste momento, falar ou escrever sobre a violência. Apenas render homenagens a uma linda mulher.

À sua família e amigos mais próximos, que a perda da convivência não enevoe os bons momentos juntos, as histórias todas vividas.

Mariza, você vai ficando com a gente! Sempre!

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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09/01/2007 às 16h04min
O Corte

Não acreditei que ainda não tinha assistido o filme "O Corte", de Costa Gravas, 2005. Por sugestão, pelo diretor e pela memória de ter visto resenhas anteriores, me dediquei com prazer àquele que é, mais que uma história, uma idéia. É como um grito feroz, arrebatador, motivação para mudanças estruturantes vigorosas em todo o planeta - tornado, tempo a tempo, inóspito para o convívio com a felicidade.

Retrata o desespero da perda do trabalho, da referência da vida em sociedade, a família, o convívio consigo mesmo, as frustrações e as saídas, fazendo sobressaltar aspectos provavelmente desconhecidos de sua história, traços inimagináveis em momentos anteriores, ações extremadas com pouco ou nenhum arrependimento.

Me lembrei de algumas conversas com a Leila (do Dieese) e o Gil (da CUT), sobre os debates e estudos que planejávamos engrossar fileiras sobre o trabalho e seus novos movimentos.

Por sugestão da natureza, terminado o filme, coloquei um disco do Fagner. Dali a pouco, ele cantava, do Gonzaguinha, "Um homem também chora" ou "Guerreiro Menino"! Fiquei impressionada com a conexão:

Um homem também chora, menina morena
Também deseja colo, palavras amenas
Precisa de carinho, precisa de ternura
Precisa de um abraço da própria candura
Guerreiros são pessoas, tão fortes, tão frágeis
Guerreiros são meninos, no fundo do peito
Precisam de um descanso
Precisam de um remanso
Precisam de um sono que os torne refeitos
É triste ver meu homem, guerreiro menino
Com a barra de seu tempo por sobre seus ombros
Eu vejo que ele berra
Eu vejo que ele sangra
A dor que tem no peito, pois ama e ama
Um homem se humilha se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida e vida é trabalho
E sem o seu trabalho um homem não tem honra
E sem a sua honra se morre
Se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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11/12/2006 às 23h23min
O que a Cidade ganha com isso?

Poderia também chamar este comentário de "política à moda antiga", para todas as idades e feições. Saindo de um evento nacional feminista neste fim de semana, também poderia intitular simplesmente "virilidade". Mas resolvi refletir nesse tom sobre quais respostas Goiânia tem tido diante dos inúmeros desafios colocados às mãos dos Poderes Municipais e outras instituições que carregam por tarefa uma espécie de controle externo em nome da Sociedade e do Estado.

Na semana passada, tive a oportunidade de participar do lançamento de um livro em Brasília, Reflexões para a Vida Pública - A Cultura da Fraternidade e a Política, organizado por Antonio Maria Baggio, Ed. Cidade Nova. Trata-se de um movimento internacional cujo escopo é alcançar espaços de poder que acolham a fraternidade como categoria política. Com a presença de todos os partidos e religiões, parlamentares falaram da anatematização do amor em ambientes de embate político e as conseqüências para a construção de uma nova sociedade. Divulgando o Movimento Político Pela Unidade, a italiana Chiara Lubich amplia:

"O político pela unidade é aquele que abraça as divisões, as rupturas, as feridas do seu povo. Esse é o preço da fraternidade a ser pago, um preço altíssimo, como altíssima também é a recompensa. Sua fidelidade na provação fará desse político um modelo, ponto de referência para os seus concidadãos, orgulho do seu povo."

Com dados do Mapa da Exclusão e Inclusão Social de Goiânia e a Agenda 21, ambos extraídos de intensos processos de pesquisa e reflexão, é impossível deixar de pensar no passivo histórico gerado em nossa Cidade e nas conquistas empreendidas. Recebemos também nesta semana a presença de alunos e professores de ensino médio que nos apresentaram um caderno com sugestões para alcançarmos as Metas do Milênio, instituídas pela ONU. Estão preocupados em colaborar para que, chegando em 2015, tenhamos menos fome no mundo, mais proteção às crianças e ao meio ambiente, mais democracia com recorte de gênero e outros desafios. Em nossas mãos, o esperado empenho para universalizar o atendimento nas áreas de saúde, habitação, educação, lazer, assistência social, trabalho e renda, cultura, paz, tantas demandas e desejos.

Há expectativa sobre nosso trabalho. E aqui falo especificamente da Câmara Municipal, o Poder votado na lógica da democracia representativa para legislar e fiscalizar tudo o que diga respeito ao universo dos direitos historicamente reconhecidos e que sejam da competência do poder público. Cabe a quem ocupa uma cadeira parlamentar zelar com esmero das pessoas, as que moram aqui, as que acorrem a essa Capital, para melhorar sua vida de algum modo.

Quando vejo as inúmeras guerras entre titãs que tentam escalar os céus, penso: O QUE A CIDADE GANHA COM ISSO? Mais crianças vão para as salas de aula? Mais pessoas são atendidas nos postos de saúde? Há mais proteção do nosso cerrado? Mais postos de trabalho? Menos violência? Mais moradias? Mais justiça social? O que a Cidade ganha com isso?

É claro que a boa disputa é saudável, a disputa programática, por convencimento, por ter maioria para implementar seu programa para a Sociedade. Fazemos política e as lutas por espaço são intrínsecas e desejáveis, porque são indicativos de pluralismo, diversidade. Mas, o modo como se faz, diz mais respeito à demonstração pública de brigas ancestrais do que propriamente ao bom gosto das paixões por ideais e propostas distintas.

A Câmara Municipal vai eleger Mesa Diretora e distribuir os postos das comissões permanentes. São lugares de serviço para nosso Município, desafiado por medidas planejadas, cujos resultados hão de ser verificados passo a passo, de modo que o dinheiro coletivo seja utilizado devidamente. Pensando assim, vejamos sobre como a Cidade vai desfrutar do Poder Legislativo por ela eleito, nesta legislatura, nos próximos dois anos. Qual o perfil exigível por cada posto para que tenhamos maior satisfação da Sociedade com seus representantes, em meio às diferenças expressas nas opções partidárias?

Qual o melhor acordo? Aquele em que a Cidade ganha!

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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29/10/2006 às 22h54min
Para os analfabetos políticos, Lula é Fênix

Prometi a mim mesma e outras pessoas não guardar avaliações apenas para consumo interno. Então, lá vai...

Passamos um ano e meio ouvindo desaforos pela imprensa e pessoas que se arvoraram beatificadas e com o dom sacrossanto da exclusão, expurgo, exorcismo ou seja lá o que quisessem juramentar contra os/as petistas e contra Lula. Ainda na véspera deste segundo turno, um sujeito, com modo nordestino de falar, xingava o presidente em praça pública no carro de som potente, se expressando de modo jocoso, preconceituoso, contra quem não avançou em anos no banco da escola. Procurava pedir votos para seus candidatos com base na fala debochada contra os demais, como o foram os plásticos de carro mostrando a mão de Lula com o resultado de um acidente de trabalho. Quanto mais bateram em Lula, mais ele cresceu.

Passamos um tempo precioso cuidando de muitas coisas, ao mesmo tempo. Metabolizamos a nova fase do PT, com pancadas no fígado, enquanto o Governo Federal, governos locais e postos nos parlamentos, ONGs, exigiam e exigem muita dedicação. A militância, seja em reuniões do movimento social ou do Partido, seja em meio a macarronadas e arroz com pequi com a família, se especializou em dar declarações a respeito de verdadeiros fantasmas a seu redor. Eram - e são - como sombras acompanhando os mais diversos momentos de quem defende o PT e o Lula: as denúncias! De manhã, quando as notícias parecem acordadas de um sobressalto, a manchete retumba como tortura, porque atinge quem também toma conhecimento pela imprensa e tem que responder, coerentemente, por onde quer que passe, fora os telefonemas e nova re-repercussão exigida pelos veículos. Ou seja, a repercussão repercute a repercussão!

Nas velhas e duradouras estratégias de guerra, uma intenção tem sido usada com força e insistência: tentar baixar o moral da tropa. No caso, o moral da militância, simpatizantes e apoiadores do Lula e do PT. Não contavam, no entanto, com a força oposta e resistência profunda, enraizada, de todas as pessoas que querem um país mais justo. Acabei de falar com uma família assim, enquanto os resultados já anunciavam a vitória de Lula. Todos quiseram falar ao telefone. Estavam felizes demais. Sabe o que disseram? Nosso Lula ganhou! Os sorrisos eram tantos que ficaram fotografados virtualmente em minha memória...

Sobre a derrota política e eleitoral do PMDB em Goiás, espero que petistas não façam coro apenas a uma advertência nostálgica: "o PMDB errou", porque temos muito o que avaliar sobre os procedimentos do próprio PT. Que o PMDB poderia ter ampliado sua coligação, provavelmente. Mas não podemos deixar de avaliar também os resultados políticos e eleitorais para o PT-Goiás. Com a palavra, os militantes e dirigentes.

Pelo bem do PT, a disciplina não pode ser cúmplice do silêncio.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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21/10/2006 às 08h18min
Lula: 62% das intenções de votos!

Apenas uma observação. Nada mais.

Enquanto as pesquisas crescentemente apontam Lula abrindo vantagens na preferência do eleitorado e as ruas comprovam, os maiores jornais competem com esta informação o acompanhamento passo a passo das investigações sobre a compra de um dossiê sobre sanguessugas. Se vai abrir sigilo bancário de um, se saiu tal informação no blog de outro, se um terceiro deu um telefonema pra um quarto...

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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16/10/2006 às 16h03min
Lula: 70% de aprovação de seu governo e 55% de intenções de voto

Já no primeiro turno, as pesquisas me deixaram um tanto intrigada, mesmo sabendo das acumulações, digamos, materiais e imateriais de Lula. Agora, para o segundo turno, já mais concentradas as informações e fatos dos últimos 20 dias, é mais fácil entender.

Podemos usar as demais fontes, mas vou utilizar a que me chega como mais recente: a Vox Populi (Bandeirantes/Carta Capital), realizada nos dias 9 e 10 de outubro, repercutindo visão do Governo Lula, repercussão de debates e de fatos relacionados ao dossiê dos sanguessugas. Sem pretender me arvorar cientista política e apenas buscando entender, conhecer mais esse terreno fecundo de aprendizado, compartilho algumas considerações.

· Os eleitores e eleitoras pesquisados oferecem uma avaliação positiva admirável para um governo central, neste período, de 70%, entre ótimo e regular. Pode-se concluir: os resultados da estratégia e ações de governo são conhecidas, reconhecidas e aprovadas pela grande maioria;

· Há hoje um acompanhamento das notícias veiculadas pelos mais diferentes meios, praticamente on line, para todos os segmentos, vez que as pessoas expressam opinião diante da provocação do pesquisador;

· As organizações de comunicação com mais poder de abordagem sustentam pólos de versões com grande chance de fazer valer sua intenção, vez que disseminam aquela vertente insistentemente pela TV, rádio, impressos, internet, novelas, sem declarar à sociedade parcialidade e, aliás, sua onipresença é validada justamente pela inocência presumida como meros veiculadores de fatos;

· As reportagens de fatos mais impactantes, políticos, policiais ou outros que sensibilizem o povo, têm alguns elementos que, pelo que sei, fazem parte das abordagens tradicionais do jornalismo. Juntou-se outro ponto complementar nas matérias, em especial de TV, que, para mim, é mais recente (talvez por não ter percebido antes) e me parece esquisitíssimo: se o protagonista deu ou não entrevista para a imprensa sobre o acontecimento. Este elemento pode ganhar uma conotação de censura, de falta de transparência, de omissão, de ocultação de informações relevantes que deveriam ser oferecidas na hora... Essa questão tem reflexo (e é reflexo) em distorções que são visíveis e com graves reflexos políticos, investigativos, de direitos individuais. A vaidade e, digamos, o senso de oportunidade de várias autoridades responsáveis por oferecer a notícia correta à população, de modo ético, verdadeiro e confiável, leva tudo ao espetáculo, indigno das conquistas democráticas. (Não nos enganemos: a descrença não abate apenas as instituições político-partidárias, mas também os demais que se revelam desmerecedores da credibilidade, em mais curto ou largo prazo!);

· Interessante também notar na pesquisa em questão que, independente da opção do eleitor pesquisado sobre o primeiro turno, a análise de que os fatores responsáveis por Lula não ganhar a eleição no primeiro momento, não foi seu governo, nem as propostas para os próximos 4 anos, nem o desempenho do principal adversário. O que teria pesado mais é ele não ter ido ao debate da Globo (41%) e o caso do dossiê (36%). Ou seja: os dois cenários altamente disponibilizados via televisão, poucas horas antes do voto;

· Quanto à agressividade de Alckmin no debate da TV Bandeirantes, ele optou por uma vertente que contraria a evolução da espécie. A grosseria parece ser percebida como tal e rejeitada pela sociedade. Há diferença enorme entre ser objetivo, focado, estabelecer inclusive confronto, e buscar uma luta livre desrespeitosa e inoportuna para o eleitorado. Depois, a pergunta: quem ganhou?;

· No primeiro turno havia quatro candidaturas mais conhecidas, sendo uma do PT (Lula), uma do PSOL (Heloísa Helena, eleita e depois exlpusa do PT), uma do PDT (Cristóvam Buarque, eleito pelo PT e se desfiliou, contrariado por sua saída do Ministério da Educação) e outra do Alckmin, representando o pólo adversário (PSDB/PFL). Ou seja, oposição sistemática, movida por circunstâncias diferentes, mas articuladas na estratégia, com aliados nas mais variadas e até inusitadas instituições. Não conseguindo convencer a população a se voltar contra o Governo Lula, partiram para a concentração de ataques relacionados à moralidade pública, com todos os instrumentos disponíveis, claramente com dois pesos e duas medidas. O excesso produz desconfiança;

· Quase me esquecia de uma questão básica: os preconceitos de classe contra Lula continuam. Ja não vêm sob o formato de "ele não tem autoridade ou conhecimento pra governar o país" ou "ele não vai saber conversar com outros países" ou ainda "vai acabar com a economia do país", mas ganham outras faces como pode ser visto pela internet;

· Talvez estejamos caminhando para uma visualização racional. Uma professora conversava com alunos de uma escola particular e, perguntada sobre sua preferência de voto, ela respondeu que votará em Lula porque o Brasil está melhorando para os pobres. Um aluno reagiu: "então nós vamos votar no Alckmin, porque nós somos ricos". Sem questionar o direito de pensamento e manifestação, perguntaria de novo ao jovem: que mundo você pretende construir?

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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09/10/2006 às 16h13min
Gil - Um Amigo Querido, um Guerreiro da Paz

Nem bem é possível expressar a tristeza de perder o Gil, companheiro com a poesia, a militância, o olhar meigo, um sorriso solitário, amoroso.

A Adriana e a Gabriella, neste momento, estão no hospital, lutando pela vida, e o Gil estará daqui a pouco se despedindo da família, da CUT, do PT, do Sindicato, da UCG, de toda a companheirada. Difícil acreditar. Esses dias ele estava vibrando, conseguindo iniciar o curso que mais queria, Direito, retornou às atividades profissionais na Católica e não parava na militância. Com a gente, no Mandato, pautou uma proposta de debates e acumulações sobre trabalho e suas dimensões nas lutas políticas previstas.

Quinta-feira, 5, na hora do almoço, fizemos uma reunião da Assessoria de nosso Mandato, para conversarmos sobre o quadro político e cantamos parabéns ao Flavinho pelo seu aniversário. De volta ao gabinete, conversei com o Gil sobre as novas funções que ele estava exercendo e nossa programação para a Comissão de Desenvolvimento Econômico e Social. Um pouco cansado, ele se prontificou e saímos pra luta!

Quando as oposições começaram a jogar contra Lula de forma mais organizada e brutal, o Gil chamou uma comemoração do aniversário da CUT e todos/as discursamos impulsionados pela força do olhar de Gil, da vontade de superação...

Nas manifestações deste ano pelo aumento do salário mínimo, em Brasília, corremos para participar do evento. Chegando na entrada da cidade, a chuva tomava conta e nosso tempo realmente era pequeno pra irmos buscar informações para a nossa atividade parlamentar. O Gil quis ficar pra ir a pé, junto com a turma, caminhar alguns quilômetros. Nós o deixamos ali, observamos um pouco e fomos para outros locais. Éramos Gil, Mara Emília, João Carlos e eu. Cumprida nossas outras tarefas, fomos ao local de aglutinação. A chuva forte prejudicou um pouco a presença, mas o Gil estava lá, ensopado, entrando no carro e contando empolgado sobre a movimentação. No dia anterior, fez uma intervenção marcante convidando os vereadores/as para irem à atividade por melhor salário para os trabalhadores.

Gil era parceiro, amigo, sensível e posicionado.

Estamos pensando na Adriana, Gabriella e na dor de Carol e Camilla. E o bebê, novidade da família. Todo o nosso carinho, amor, torcida pra essas mulheres que moram em nosso coração.

Nosso Mandato está de luto, porque é preciso dar tempo para homenagear e lembrar, sofrer e superar o momento. Sei que os amigos e amigas, companheiros e companheiras estão de luto.

Nossas bandeiras, no entanto, estão hasteadas no ponto mais alto, no vértice de nossos sonhos!




Autor(a): Marina Sant´Anna

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01/10/2006 às 18h39min
Viva a Militante e o Militante!

Enquanto escrevo, às 18hs11min, não tenho informação sobre os caminhos que as urnas nos levarão.

Vi, andando pelas ruas e locais de votação, pessoas cheias de amor nos olhos. Daí, alguém pode perguntar: AMOR, como assim?

Acreditem! Há tantas pessoas que se dedicam dia e noite por candidaturas e partidos, por amor. São pessoas e dedicação que não há dinheiro que pague. Que não traem, não mudam de posição, não tergiversam, têm lado. Alteram o tom de voz indignadas quando se vêem em situação desconfortável, com ataques a seu partido, candidato, amigos ou projeto, quando são normalmente tranqüilas, quase monocórdicas.

Quero aqui, em especial, homenagear a Militância do PT. Não é de hoje que se entrega assim, construindo um sonho em muitos sonhos.

É aguerrida, topa a luta do tamanho que ela tem. Sofre com cada golpe que o Partido leva, seja aplicada por seus adversários, por incorreção ou inabilidade de outros petistas, ou por perder a oportunidade de crescer em momentos de avanço histórico. Festeja as vitórias como se nascesse uma criança em sua família. Porque é tipo família, mesmo!

A Militância do PT é alguma coisa de especial.

Um dia, na campanha de 1998, uma turma de jovens petistas estava andando comigo pelo Centro de Goiânia, fazendo uma daquelas longas e exigentes caminhadas. Não me lembro dos detalhes, mas éramos uns 6 ou 7 entregando panfletos e conversando com as pessoas na Avenida Araguaia e aí por diante. Voltamos para o comitê, ao final do percurso, e eu reclamei da turma. Falei: Gente, porque vocês não estão mais animados, no pique da campanha?... Estamos na reta final e precisamos de cada conversa com cada pessoa! Acabei de me encontrar com vocês, vamos à caminhada! Daí o Emerson, que havia sido antes meu assessor, criou coragem e falou, em nome dos demais: Marina, é que até agora, 16 horas, a gente ainda não comeu nada... Gente, juro! Deu vontade de chorar, porque eles estavam ali, voluntariamente, com tanto amor e me poupando dos nossos problemas financeiros de campanha... Fomos pedir um lanche naquele pit-dog em frente à Catedral Metropolitana. Só não fiquei mais constrangida porque isso já se passou comigo também e deve acontecer de novo e, na verdade, faz parte dos 26 anos de PT. Vem desde aqueles fusquinhas azuis nas estradas de todo o país, de lideranças rurais se esgueirando pelas matas do Bico do Papagaio para despistar os jagunços e participarem das reuniões de formação dos movimentos sociais e de seu instrumento de luta político-partidária: o Partido dos Trabalhadores.

Não nos esqueçamos disso, jamais!

Recebi hoje tantos beijos e abraços carinhosos de homens e mulheres admiráveis, que guardo no coração. Como Assim???, diriam os jovens, acossados pela má propaganda da política. Gente, política sem amor é só carreirismo, guerra por posição sem projetos que visem a defesa dos direitos, puxa-saquismo para garantir seu ingresso oportunista em qualquer jogo. Essa "política" não vibra o coração - vibra o bolso! Não visa direitos. Visa abuso, arrogância, carteiraços, corrupção, prepotência, autoritarismo, patrimonialismo.

Qual a reforma política que queremos? Que enobreça a atividade pública, estabeleça normas permanentes, incite o controle externo em todos os níveis de poder, estabeleça transparência, normatize com durabilidade, fortaleça os partidos, distinga nas eleições o que é manifestação militante e o que é abuso de poder econômico expresso em volume de campanha nas ruas e compra de votos. Precisamos, com nossa experiência de militância política e campanhas, fazer com que a reforma política seja pauta da Sociedade, nas ruas, festas, favelas e restaurantes. Assim será melhor.

Minhas homenagens à Militância Política de todos os partidos, aquelas que acreditam no projeto que defendem para o Brasil. E, em especial, a Militância do PT, desde criancinha, de todas as idades e feições.

Beijos e muito entusiasmo!




Autor(a): Marina Sant´Anna

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26/09/2006 às 22h00min
Por que Lula?

O vínculo é de minha inteira responsabilidade.

Tive a honra, como amiga e não apenas atividade pública que exerço, de participar do lançamento de dois livros esses dias, ambos tão importantes que fizeram o que só amigos podem fazer por nós: o olhar, o abraço, a mensagem amálgama, combina pontas diferentes da vida.

O primeiro evento reuniu gente da Cidade de Goiás e de Goiânia no Centro Cultural Cara Vídeo, apresentou um vídeo e depoimentos. É o livro de Marcelo Barros, o Monge das terras, das águas, dos ritos, das diferenças e igualdades, da amizade límpida e companheira. O título é sedutor - Dom Helder Câmara, Profeta Para os Nossos Dias (Editora Rede da Paz) e a evolução dos testemunhos, com Dom Tomás Balduíno, Salma Saddi, Graça Fleury, Frei Humberto, Frei José Fernandes e tantas pessoas desses encontros, dá a dimensão dessa fertilidade do novo mundo possível.

No segundo momento, na UCG, pude me deliciar com emoção no abraço deixado por Oscavú José Coelho através de seu segundo livro As Histórias que a História Não Conta (Editora Vieira). Diante da família, amigos, parceiros do trabalho de educação popular realizado por toda uma vida, a Professora Alda Borges Cunha depõe e homenageia a memória de Oscavú, lembrando de sua prisão política e que atuou em todos os campos em sua postura libertária, da labuta diária como lavrador à literatura, passando por diversas frentes de luta. Oscavú tinha um jeito de sabedoría do campo, embora também partilhasse da experiência de vida urbana, dos trabalhadores e trabalhadoras dos nossos bairros.

Ouvimos música, poesia, depoimentos e o som do berrante. Além de Parcival, seu irmão e muitas das pessoas de sua família, tenho muitas horas partilhadas com José Coelho e Renildes. E, francamente, são horas de alegria e aprendizado. (A propósito, fizemos no lançamento do livro uma combinação para irmos ao Caxambu, em Pirenópolis, encontrar com a família do Bié e da Bertina. Se alguém do Caxambu ler, por favor os avise).

Viva Dom Hélder, Marcelo e Oscavú por permitirem essa partilha que nos permite confirmar caminhos!

Esse vínculo que faço na chamada acima não é aleatório. Está na minha origem e de outros do porquê fazer política. Está no por que Lula?, um torneiro mecânico, sindicalista, retirante, liderança dedicada, disposta a enfrentar as contradições próprias da atividade pública. Imperturbável no caminho que escolheu como protagonista político, Lula é destinado a participar da alteração da cultura de poder em nosso país, com reflexos na pauta mundial. E acolheu seus talentos não para seu próprio enriquecimento (o que não seria questionável, levando em consideração o contexto), mas para realizar a maior mudança de rota jamais feita em nosso país, forjado na desigualdade e em altos índices de miserabilidade. É claro que há reações. Isso ocorre em qualquer mudança. Alguns querem aquele projeto antigo, calcado na crônica (e confortável para muitos) diferença na distribuição das riquezas conquistadas pelo país. Outros, por não se disporem a refletir e buscar mais informações, se tornam reféns da publicidade clara ou imperceptível, que agrava o egoísmo, o apelo ao individualismo e distância de valores aprendidos em algum lugar: solidariedade, generosidade, dignidade humana. E há outros, ainda, que não querem responder em condição de governo, mas apenas buscar a resposta fácil, a acusação, a prepotência de dono/a da verdade. Não querem se expor à mudança de rumos, mas apenas aos gritos fáceis e de mais fácil audição para si.

O que há de mais radical que baixar em 19,18% a miséria em nosso país, em apenas 4 anos de governo?

Radicais somos nós. Atrevidas e atrevidos, aceitamos a opção de ir em frente, com erros e acertos. Aceitamos o desafio da vida por um mundo melhor.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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09/09/2006 às 11h00min
MV Bill, José Wilker e Política

Não da pra resistir: MV Bill na cidade, com apresentações de grupos da periferia de Goiânia, Aparecida de Goiânia e Senador Canedo e O Maior Amor do Mundo, filme chocante de Cacá Diegues, com cenas difíceis de se esquecer. Além do talento dos artistas, a crueza da apartação social, a responsabilidade de no mínimo cinco séculos pesando em corpos tão jovens, mentes envolvidas no que a vida oferece.

Ontem conversava com algumas amigas sobre política e as coisas que realmente têm importância neste contexto vivido agora.

Com todo respeito devido e merecido para as opiniões diferentes, quais serão realmente as questões que nos interessam ver realizadas em um conjunto de quatro anos de um governo brasileiro?

-- No campo econômico, alguns exemplos de resultados e investimentos, em contraposição às reclamações cativas de segmentos acostumados a angariar lucros gordos e se dão ao luxo de colocarem em seus carros agressões a Lula: Safra agrícola deve crescer 4,55% este ano; Ciência e tecnologia terá 10 bi até o fim do ano; Indústria cresce 3,2% e tendência é de expansão;  Novas medidas vão diminuir juros bancários; Lei das micro e pequenas empresas reduzirá tributos; Inflação já é inferior a de países desenvolvidos; Inflação cai em agosto e fica em 0,05%;  Fiscalização reduz desmatamento na Amazônia; Luz Para Todos já beneficia 3 milhões de brasileiros; saldo em conta corrente é o maior em 59 anos; saldo em conta corrente é o maior em 59 anos; Economia: balança tem maior superávit do ano; Brasil: uma nova potência energética com o biodiesel; Juros e déficit da Previdência caem...

-- A vida mais condizente com as necessidades humanas? Pronaf criou 12 milhões de empregos; de 2001 para cá; Os investimentos em política social passaram de 7 bilhões de reais para 23 bilhões; As pesquisas de avaliação do Bolsa Família, por exemplo, mostram que 94,2% das crianças beneficiadas pelo programa conseguem fazer três refeições por dia e contam com o controle de vacinação, além de freqüentar a escola; Mais R$ 500 milhões para a reforma agrária; Distribuição de renda é cinco vezes mais rápida no governo Lula nestes 3 anos e meio do que nos 8 anos de governo FHC; Presidente Lula sanciona lei para agricultura familiar ; neste período Lula, cerca de 3 milhões e 200 mil pessoas saíram da linha da pobreza; 7,3 milhões de pessoas atendidas na afalbetização de jovens e adultos nos últimos 4 anos, com mais de 15 anos de idade; Presidente sanciona lei que pune com mais rigor a violência contra a mulher...

Sinceramente, com o maior amor do mundo, sou Lula porque o que me sensibiliza na vida pública é do que falam Cacá Diegues e MV Bill.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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03/09/2006 às 20h20min
Zuzu Angel

Acabei de assistir Zuzu Angel.

Além da enorme emoção nas músicas de Chico Buarque, na força dos jovens e daquela mulher fantástica, vários outros aspectos saltam aos olhos, como um levante salpicando minhas próximas horas, pelo menos.

A cena que mais me marca é aquela quando a Zuzu visita um sapateiro, pelo que entendi, pai de Lamarca. Enquanto ela fala, ele espreme na boca um prego destacado para pregar uma sola. Ela lhe diz que Stuart, seu filho, morreu para não dizer um nome de rua, um endereço que pudesse oportunizar aos torturadores encontrar o líder político na clandestinidade. Diz que seu filho morreu para que o filho dele não morresse. O homem trava os lábios em torno do prego de tal modo que o sangue lhe escorre pela boca. Sem dizer uma palavra, na sequência da saída de Zuzu, ele pega o prego que fere sua boca, coloca-o no solado do sapato e bate o martelo, continuando o trabalho. O rosto mostra de tudo um pouco. Seria um medo sem fim? A proteção do filho procurado? Um gesto de protesto silencioso? Um lamento?

Dentre outras menções, o destaque para os valores construídos em casa, por uma mãe forte, determinada, generosa, amiga e empreendedora e por um pai solidário, seguindo seu projeto, também aprendido de seu pai. Não posso deixar de destacar as características típicas de nossas famílias e presentes em Zuzu: com muitas qualidades admiráveis, mas apenas quando a realidade chega em casa, ela mesma diz isso, passa a enxergá-la em seu tamanho, importância e plenitude.

Que bom que o cinema brasileiro esteja ganhando alcance maior e disposto a essas realizações! (beijos a Benfica, olhar presente em nossa educação com e para as artes)




Autor(a): Marina Sant´Anna

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30/08/2006 às 17h35min
Câmara Municipal e Controle Externo

Vivencio pela terceira vez um mandato na Câmara de Goiânia. Creio estar credenciada para avaliar alguns aspectos de sua atuação e sua responsabilidade política e institucional.

Penso na importância histórica de ser realizada uma mudança significativa nas regras partidárias e eleitorais. O sistema não atende mais as necessidades de avanço da democracia, desde os espaços de representação locais até as macroestruturas de poder, que incide na participação aberta e transparente das decisões de estado.

Em Goiânia, a cada dia temos o dissabor de abrir as páginas de jornal, conversar com pessoas nas ruas e mensurar a realidade do descrédito atribuído à Câmara da Capital e, portanto, seus membros. Um ou outro vereador se lança na teia da denúncia ouvida de boca-em-boca, que acusa de forma indistinta todos os parlamentares, frente à falta de nomes. Muitos sobem à tribuna com argumentação que chama a sociedade a entender que, à exceção daquele que fala, todos os demais ou a maioria é feita de irresponsáveis, negligentes, fraudadores.

As e os parlamentares que levam sua representação a sério têm a sensação de estarem em campo de guerra. Não confronto/disputa de idéias e posturas sobre políticas públicas, destinação de recursos, planejamento, visão de sociedade ou até defesa de partidos diferentes no processo eleitoral. Pelo contrário: há uma desfiguração partidária, diluição de estruturas que agreguem em torno de metas. Até para um observador atento, fica difícil compreender os movimentos, aparentemente contraditórios, que, como um pêndulo, ora compõem blocos com uma identificação política, ora outra.

Os municípios carecem de parlamentos que superem essa acomodação/reacomodação na relação com o Executivo e com as demais esferas de poder. A Constituição Federal oferece responsabilidade e poder aos municípios, mas os parlamentos não conseguem elaborar sua postura de fiscalização, na diversidade necessária e desejável de idéias e posições. Como exemplo, saneamento, transporte coletivo, saúde, desenvolvimento econômico, cultura... As informações juntadas na história, ainda que baseadas na legislação aprovada, praticamente não existem. Este é o quadro da grande maioria das câmaras municipais. É o caso da Câmara de Goiânia.

Há que se perguntar sobre o teor da representação que exercemos.

Penso em um Legislativo Local atento, com sua história compilada, debates registrados, fiscalização full time, não pendente da simpatia ou de apego a questões menores, mas com avaliação de seu próprio trabalho.

Dias atrás a Vereadora Jacyra levantou a hipótese de os vereadores não mais receberem remuneração por sua atividade. Alguns jornalistas comentavam sua declaração, imediatamente repudiada por vários parlamentares questionados. Eu disse que pode ser uma boa pegada para uma discussão maior: como queremos que as câmaras exerçam seu papel? Daí se acha o melhor formato. Será, como dizia o ex-vereador Elias Rassi, que poderíamos pensar em um grande conselho, não remunerado, com assessoria de carreira da casa disponibilizada para o trabalho técnico, com reuniões, talvez mensais, e grande impulsionamento das Comissões Permanentes e Temporárias? As audiências públicas ganhariam relevância e a transparência absoluta dos atos e gastos do Poder lhe daria a autoridade necessária para cumprir sua tarefa. Há experiências parecidas em outras partes do mundo e também no Brasil.

Para o quadro legal atual podemos também fazer alterações importantes: revisar a relação numérica e qualitativa profissional de carreira/comissionados; investir na pesquisa e na qualidade de nossa atuação legislativa e fiscalizadora; ter programa de atualização acadêmica e técnica de servidores; dotar os gabinetes das condições necessárias de trabalho; estruturar a área de documentação e patrimônio da câmara, bem como toda a área de comunicação (tv/rádio/impresso, registro fotográfico/áudio/vídeo/taquigrafia); impulsionar o acesso das pessoas a toda produção da Câmara, facilitar o acesso às informações, todas eivadas do caráter público. Os recursos dos moradores de Goiânia dedicados ao Legislativo trazem em si essa expectativa.

Ademais, é preciso instituir um CONTROLE EXTERNO.

Os avanços do Poder Judiciário na instituição do Conselho com várias representações que  o acompanha, sem tirar dos juízes sua autonomia para julgar, é exemplo para fazermos o mesmo no caso da Câmara Municipal. Por que não? Pessoas da sociedade podem acompanhar os trabalhos legislativos, os gastos do poder, a postura de interesse público, mesmo sem entrar no mérito das votações, visto que os/as vereadores/as devem se posicionar diante das matérias e votar como desejarem. Para essa prerrogativa, somos eleitas/os.

Coisas para pensarmos e debatermos logo após as eleições.

Ficam as manchetes.


 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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22/07/2006 às 13h49min
Segurança e Estado Paralelo

Dados oficiais do Ministério da Justiça dão conta de 215.910 vagas no sistema penitenciário e nas dependências policiais, enquanto o número de presos avança de 361.400 presos. Desses presos, de acordo com A Carta Capital, 80% são analfabetos ou fizeram no máximo até o ensino fundamental. E 60% são afrodescendentes.

Em São Paulo, onde os conflitos subiram muitos decibéis nos últimos dias, a imprensa em geral denunciou o controle do PCC (Primeiro Comando da Capital) nas 144 unidades prisionais do Estado e a possível necessidade de o Governo Estadual negociar com a organização criminosa a baixa da temperatura nas ruas e nas cadeias. No restante do país, nos acostumamos a ver essas explosões nas instituições prisionais (mesmo que a legislação proíba) destinadas a adolescentes e jovens em situação de violência, em todas as margens de sua vida, em São Paulo. Já arrastões, ações depredadoras no transporte coletivo e outros movimentos de maior repercussão, parecem fazer mais parte do panorama ameaçado do Rio de Janeiro, com algumas pontuações gravíssimas de esquadrões da morte e seus assassinatos coletivos, um pouco em cada estado.

Mas o estouro ocorre na insuportabilidade.

Participei de um Programa de Direitos Humanos da Universidade Católica de Goiás e atuava em conjunto com a Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Goiânia. À época, o Prof. Pedro Wilson era presidente da CJP e vice-reitor da UCG, contando com todo o apoio de Dom Fernando. Fizemos centenas de denúncias de maus-tratos feitos contra presidiários e, mesmo com boa vontade de alguns diretores e agentes carcerários ou policiais, o sistema era voltado para a injustiça social ali expressada em talvez seu mais aterrorizante viés: o estado, como instituição, revelando sua preferência por colocar na cadeia jovens afrodescentes pobres e sem estudos. Seu abrigo, dentro da cadeia (em especial os que ficariam mais tempo), era a proteção de lideranças que disputavam entre si a hegemonia local, à base da força e da concessão de pequenos benefícios. Isso no início da década de 90 e em uma Cidade de médio porte, que é Goiânia.

Estava claro, até para mim, uma estudante de direito em início de reflexão sobre a vida, que aquilo era o ensaio diário de muitas explosões ou implosões. E tínhamos a informação crescente dos ativistas de direitos humanos que nos demais estados as coisas se agravavam bastante. A Sociedade, chamada pelos populistas irresponsáveis a tratarem os sinais de alerta das organizações de defesa dos direitos humanos como “defesa de bandido contra o povo”, já havia capturado este preconceito facilmente, dados os anos de ditadura no Brasil e em praticamente toda a América Latina.

Organizações criminosas se especializaram, por dentro do Estado e nos mais variados segmentos sociais, seja através da assistência às famílias pobres, do narcotráfico e suas ramificações e no aliciamento de crianças e jovens de famílias desesperançadas.

A última Revista Veja, buscando retratar a força do PCC, afirma: “O PCC não é formado por gênios do crime, mas por bandidos que souberam tirar proveito do caldo de cultura das penitenciárias e, a partir daí, das falhas do sistema legal”. Mais adiante: “O PCC também tem tentado uma tática mais refinada para aumentar o controle dos presídios: infiltrar criminosos nos concursos públicos para agente penitenciário”. Revela ainda que “no próprio governo paulista grassam os embates. Saulo de Castro e Nagashi Furukawa, secretário de Administração Penitenciária até maio, não se falavam”. Como diz a Revista Carta Capital em matéria sobre este tema, “novos ataques do PCC em São Paulo expõem falhas do governo tucano”.

Há mais de cinco séculos que os mesmos grupos políticos e econômicos compõem os diferentes estágios da vida nacional. No Estado de São Paulo, a Funabem e os grupos de extermínio vieram às páginas de jornais por milhares de vezes. Não adianta dizer o contrário, porque os fatos desmentem.

É preciso, de fato, reorientar a atuação pública sob o ponto de vista da defesa dos direitos humanos – para todas e todos! É preciso proteger as famílias vulneráveis socialmente, as crianças e adolescentes em situação de exposição a qualquer tipo de violência e fora da escola, mudar os pressupostos que levam uns criminosos à prisão e não levam outros (César Cardoso finaliza seu artigo na Caros Amigos de julho com a seguinte frase: “Porque a justiça, meu amigo, é cega, mas a injustiça enxerga longe).

Racismo, sexismo, homofobia, criminalização da pobreza, não reconhecimento de direitos elementares, violência desmedida, precisam sair do receituário dos agentes do estado também na área de segurança pública, tanto na ação das polícias quanto do Poder Judiciário. Ação e omissão se envolvem com o mesmo peso e produzem os mesmos resultados, em amálgama.

 
Autor(a): Marina San´Anna

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21/07/2006 às 20h31min
Morfofobia, aversão à própria forma

Acho que já tinha visto esta palavra, mas não prestei muita atenção. Esta semana, na Istoé, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy deu uma entrevista bem parecida com outras que havia lido antes. Mas me chamou a atenção essa idéia da “morfofobia, a fobia da própria forma”.

Pitanguy, um médico conhecido como o papa das mudanças estéticas e reparadoras, diz que “a mídia impôs padrões de beleza que atendem a interesses comerciais. Acho que a beleza é muito mais o direito à normalidade de cada pessoa, dentro de seu próprio biotipo”. (Falamos bastante disso, mas, vindo dele, que recebe em seu consultório tantas ansiedades, torna-se especial.)

Perguntado se ele, do alto de seus 80 anos de vida, já pensou em passar pelo bisturi, Pitanguy responde, com elegância e consciência de seu próprio direito à imagem: “Nunca. O ser humano não tem obrigação de se operar. Quem convive bem com sua imagem, se tolera ou tem um ego condescendente, não há por que fazer. Os menos satisfeitos são aqueles que se operaram por imposição de terceiros. Deve-se procurar o tratamento para o próprio bem-estar, e este não é o meu caso”.

Dá pra pensar o nível de interferência ideológica passível de ser feita em cada terreno de nossas vidas? Quem toma as decisões mais importantes por nós, se até não suportar nosso próprio corpo pode ser objeto de convencimento por interesse comercial? Todos tipos de fobia podem se apossar de nós.

Podemos não entender o nível de repulsa - que pode parecer natural à própria pessoa que sente - a expressões de amor, por exemplo, entre iguais (homofobia); assim como o racismo; o receio de mulheres em várias situações, inclusive no poder (misoginia); o medo de pessoas de outras origens territoriais e culturas (xenofobia)... Ocorrem guerras e disputas por reconhecimentos de direitos, são imputadas cargas de sofrimento a gerações, populações, segmentos sociais, pessoas!
Se a aversão ao próprio corpo, este – único – que cada um e cada uma de nós tem, pode ser matéria de apossamento de nossa vontade e julgamento, a quantas fobias estamos expostos, sem mesmo nos apercebermos?

Me lembro em 1989, quando eu estava em meu primeiro ano de vida parlamentar, fazendo campanha para o Lula em uma feira de Goiânia. Um senhor, com marcas de quem vivia uma vida difícil, praticamente sem dentes na boca, roupas muito velhas e puídas, me respondeu ao pedido de voto: “não voto no Lula porque se ele for eleito vai colocar famílias para morar nas terras dos outros e quem tem uma casa de dois quartos vai ser obrigado a deixar outra família morar em um dos quartos.” Pensei: meu Deus, mas ele certamente, até nessa hipótese surrealista, seria beneficiário da atenção aos mais pobres!

Quem produziu essa fobia nesse homem? Os mesmos que estão hoje tentando convencer a Sociedade que Lula é contra os negócios do campo. Colocam em seus carros, inclusive alguns dos mais bonitos e pujantes, plásticos de carro agressivos contra Lula. Isso sabendo que as exportações de carne têm aumentado, que o Governo Federal tem enfrentado todos os interesses protecionistas do mundo pelos produtos do Brasil, além de multiplicar os investimentos para a agricultura familiar e incentivar a produção sustentável dentro das funções do estado. É claro que a contestação é um direito, mas é direito meu também me recusar às práticas incandescentes herdadas da Guerra Fria. Quem é empresário competitivo, conhece as leis do mercado e se apropria de instrumentos que orientam seus investimentos. 

O discurso, hora que o estado é inoperante, ora atrapalha, ora avança em terrenos próprios ao capital, é cansativo e, na minha opinião, já destituído de confiabilidade diante da tradição de abduzir o estado, subordinando-o sempre a seus próprios interesses imediatos, à exaustão. Aliás, como é feito também com a própria terra de onde se extraem as condições necessárias para continuar produzindo.

As armadilhas pessoais, culturais, políticas, comerciais são tantas que nossa reflexão diária nem sempre é suficiente.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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20/07/2006 às 14h56min
Quero votar bem

Sei que este é um conflito saudável pra alguém que queira ajudar o Brasil, os nossos lugares, todos os cantos onde se possa alcançar.

Mas, então, o que eu quero para o Brasil? Esta pergunta precisa ser feita, por cada pessoa, para reflexão. Já fui candidata várias vezes e sei que os marqueteiros perdem as noites e dias em estudos e pesquisas trabalhando para fazer o encaixe entre o que a maioria das eleitoras e dos eleitores deseja e o que seu cliente/sua cliente pode expressar publicamente e, assim, ganhar a corrida.

Mas esta é uma pergunta de cidadania, de impulso da democracia. Como eu quero que o Brasil esteja hoje e mais adiante?

É um tapa na cara de quem leva a política a sério quando uma pessoa, em meio a pedidos de votos, responde uma dessas:

· O que eu ganho com isso? Vai me dar alguma coisa?
· Não quero votar porque não tenho mais esperança em nada, nem em política, nem nas pessoas.
· Vou votar em quem me beneficiar ou me prometer um lote, uma casa ou um salário sem precisar trabalhar.
· Quem vai pra política, mesmo que seja honesto, vira ladrão, por causa das oportunidades que acaba tendo. Ninguém é honesto.
· As coisas não vão melhorar, mesmo que alguém la de cima tenha boa vontade. Desde que mundo é mundo é assim e vai continuar. Não vê as guerras, a ambição?
· Deus quer que o mundo seja desigual, que alguns tenham sucesso e outros fiquem assim. Até porque muita gente é preguiçosa e prefere ganhar do que trabalhar...

Acreditem... já ouvi de tudo. Estas e tantas outras coisas mais. Acho que todas as pessoas que pedem votos ouvem coisas assim.

Então acredito firmemente que a disposição das pessoas em acreditar em mudanças, investir na possibilidade de a Sociedade superar suas circunstâncias históricas, querer participar de decisões coletivas, reconhecer que os aspectos públicos lhes dizem respeito, ter força de esperança, projetar uma vida mais digna para todas e todos... tudo isso está relacionado à visão que têm de si e das outras pessoas. Ter senso de justiça, de igualdade de direitos.

Eu quero um mundo mais generoso, mais irmanado em grandes causas, que proteja e socorra quem necessitar, que ofereça opções dignas para a vida das pessoas. Para isso, posso fazer muitas coisas. Posso cuidar de minha própria presença, dos meus gestos e decisões, minha relações. Mas não é suficiente, embora muito importante. Penso que ofertar minha participação política alarga o alcance de minhas responsabilidades com o mundo de hoje, deste momento histórico e o que vem pela frente. Pessoas e projetos que se juntam com a intenção de maximizar a visão e os resultados agrega, sem dúvida, elementos essenciais, em uma pluralidade desejável e criativa. Podem ser agrupamentos de caráter religioso, organizações públicas temáticas (governamentais ou não governamentais), partidos políticos e uma série infinita de motivações.

Um desses movimentos é o ato de votar.

Eu quero votar bem. Não que tenha a pretensão de não me arriscar, ou buscar um candidato ou uma candidata com o dom da perfeição, o que cairia melhor para um desvio, o da idolatria. De modo algum. Escolho em quem votar por suas propostas, o que é identificado como de interesse público. Preciso saber a qual visão estratégica se filia e quais serão suas lutas para o período de governo ou atividade parlamentar para o qual se candidata. Quero conhecer ao máximo sua história pública e, exceto em situações que interfiram em sua ação política, não me interessa sua vida privada, pessoal.

Eu quero votar bem.

Enquanto não tivermos uma mudança significativa na legislação política, partidária e eleitoral, apontando para um degrau acima no amadurecimento da democracia brasileira, temos alguns limites. Gostaria de já votar em partidos com listas de representação parlamentar. Gostaria de cobrar dos partidos postura programática bem delineada, verticalizada em todo o país, sem contribuições financeiras privadas para as campanhas. Luto para compartilhar de debates qualificados, voltados para a solução dos desafios que os partidos devem proporcionar.

Quando era criança, ouvia de muita gente e achava bem estranho; hoje ainda ouço e me dá verdeira repulsa: religião, política e mulher não se discute. Sobre mulher, não preciso dizer os motivos, além da equivalência com os demais temas, porque diz respeito não a Mulheres, mas a coisificação. Sobre política e religião, é claro que se discute! É obrigatório e salutar que se discuta! Respeitar a opinião de outras pessoas, seus sentimentos e interrogações sobre determinados temas, não significa que não se possa fazer amplos, férteis e educativos debates, amplificando as possibilidades de compreensão. Se não pudéssemos conversar sobre assuntos tão norteadores das vidas privada e pública, singifica que haveria algum consenso a ser preservado ou as diferenças não teriam lugar para explicitação.

A desesperança atrai a depressão, a violência, o descuido, a baixa auto-estima, o descrédito pela vida. Na tradução para a política, atrai o autoritarismo, o avanço do que há de pior nas elites já chamadas de egoístas, imediatistas, com a tradição de sempre avançar sobre o estado de forma patrimonialista e anti-republicana. Favorece a exclusão social e política, além do desenvolvimento econômico e ambiental predatórios.

Eu quero votar bem, ouvir, ler, pensar, falar. A minha fala é da defesa de uma ação propositiva, feliz com as diferenças que valorizam a disputa por uma vida melhor para todos e todas. E um dos espaços de fala é a hora de anotar minhas opções na urna. E monitorar seus efeitos.

Eu quero votar bem. Acredito no Brasil.


 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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12/07/2006 às 22h16min
Plano Diretor, Habitação e Expansão Urbana

Tivemos sessões ordinárias consecutivas na Câmara Municipal de Goiânia, tendo em pauta vários projetos. Hoje me manifestei sobre minha postura dia 06, quinta, e dia 11, terça última, sobre alguns projetos em tramitação na Casa.

Esperava que o Projeto de Plano Diretor, após audiências públicas, estudos, diálogos, o Congresso da Cidade e outros instrumentos desejados pelo Estatuto da Cidade, pudesse ter sido aprovado em 2004, no prazo possível para encaminhamento do Governo Pedro Wilson à Casa Legislativa. No entanto, verificamos que no período eleitoral as dificuldades são imensas para o debate sistematizado, transparente, com o tempo necessário e com foco no interesse público. Há níveis de dispersão que propiciam a acomodação de votações impensáveis em momentos ordinários, onde a crítica é exercida em debate com a sociedade. Pelas informações que pude obter à época, a tensão estava localizada na aprovação da expansão urbana e os interesses próprios do tema. Diante do impasse e a aproximação das eleições, agiu bem o Prefeito Pedro Wilson, retirando o projeto da pauta, para que aguardasse o final do período eleitoral e retorno à normalidade para o debate sobre o projeto, de enorme importância no planejamento da Cidade.

Passadas as eleições, tendo vencido um novo partido, foi solicitado pela Equipe de Transição do candidato vencedor que o Prof. Pedro Wilson mantivesse o projeto nas mãos do Executivo, de modo a ser mais apreciado antes de devolvido ao Legislativo. Assim foi feito.

Do início de 2005 para cá, na vigência da Agenda 21, vários foram os momentos de debate sobre a devolução do Projeto à Câmara, sob pena de não ser publicado a contento até 6 de outubro deste ano, data-limite para habilitação do Município na dinâmica nacional. Embora seja de amplo conhecimento que o pequeno prazo (e novamente eleitoral) produzirá apenas uma tímida resposta do Poder Legislativo, tudo indica que a linha de orientação se inverteu:


1º. O Projeto de Plano Diretor deverá vir em início de agosto;
2º. Foi apresentado na quinta, 06, um projeto para expansão urbana, destinando até 30% das áreas para populações de baixa renda. Cinco minutos após ser apresentada cópia aos vereadores e vereadoras, foi a plenário para primeira votação;
3º. No mesmo dia e nas mesmas condições, foi encaminhado outro projeto criando um Fundo Municipal de Habitação.

Ora, não temos as linhas de planejamento urbanístico para Goiânia, que o Plano Diretor representa, e marchamos para aprovar a expansão urbana da Cidade?

E mais: não temos um Sistema Municipal de Habitação e aprovamos um Fundo que, de acordo com a lei federal aprovada em junho de 2005 (que cria o Sistema Nacional de Habitação), ficaria solto, sem nexo com um sistema e com a pretensa geração de um banco de lotes gerado no projeto de expansão urbana.

Então, não votei o projeto de expansão nem em primeira, nem em segunda votação. O motivo é um, a princípio: não votar projetos cujos efeitos sobre a Cidade não possam ser cuidadosamente debatidos. Aparentemente, alguns vereadores já conheciam seu conteúdo antes de chegar à Casa, o que não me parece inadequado, porque se trata de relação de apoio político ou de entendimentos parciais. Outros vereadores e vereadoras receberam informações que finalizaram suas dúvidas. Pessoalmente e pela vivência na vida pública, não me senti inteirada o suficiente para emitir um voto. O segundo relatório, votado ontem, não foi distribuído para os parlamentares. Apresentei uma emenda na Comissão, que amarrava o banco de lotes ao Sistema Municipal de Habitação, para evitar a distribuição aleatória de lotes, por qualquer que seja o prefeito, em qualquer tempo. Não foi incorporada.

Minha esperança está na emenda encaminhada à Comissão de Finanças e Orçamento, onde o relator da matéria, Vereador Deivison Costa, a recepcionou com apoio do presidente, Vereador Serjão Dias, e demais vereadores. Ao projeto que cria o Fundo, a emenda orienta para que seja incorporado, em conexão com o Sistema Nacional, o Sistema Municipal de Habitação, com a estrutura e transparência necessárias para uma política permanente e saudável de moradias de interesse social em nosso Município.

Passei o final de semana dialogando com a Assessoria e outras pessoas sobre a melhor atuação que poderíamos ter diante dessa inversão, visto que uma parte, pelo menos, da expansão seria necessária. Há bairros inteiros precisando da regularização e potencial de urbanização para outros segmentos. Companheiros da Bancada do PT também expressaram sua preocupação em vários momentos desses últimos dias com os procedimentos adotados.

Enfim, entendi que precisava dar uma satisfação. Me pronunciei da Tribuna da Câmara hoje pela manhã e agora o faço para as pessoas que acompanham nosso site, blog e boletins.

A sociedade julga.

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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02/07/2006 às 16h04min
A natureza do preconceito

Hoje é dia da Parada GLBT em Goiânia, com o tema Homofobia é Crime, e amanhã teremos a audiência pública na Câmara, aprovada por unanimidade e subscrita por vários vereadores e vereadoras.

Dei uma olhada em uns escritos do Norberto Bobbio e estou aqui na página de seu livro Elogio della Mitezza, traduzido por Marco Aurélio Nogueira como Elogio da Serenidade. No capítulo com o nome acima, extraí um trecho que, penso, vale socializar:

“O que é preconceito

Entende-se por preconceito uma opinião ou um conjunto de opiniões, às vezes até mesmo uma doutrina completa, que é acolhida acrítica e passivamente pela tradição, pelo costume ou por uma autoridade de quem aceitamos as ordens sem discussão: acriticamente e passivamente, na medida em que a aceitamos sem verificá-la, por inércia, respeito ou temor, e a aceitamos com tanta força que resiste a qualquer refutação racional, vale dizer, a qualquer refutação feita com base em argumentos racionais. Por isso se diz corretamente que o preconceito pertence à esfera do não racional, ao conjunto das crenças que não nascem do raciocínio e escapam de qualquer refutação fundada num raciocínio.

...

Podemos agora perguntar de onde o preconceito extrai tanta força para resistir, mais que qualquer outro erro, à refutação racional. Creio ser possível dar a seguite resposta: a força do preconceito depende geralmente do fato de que a crença na veracidade de uma opinião falsa corresponde aos meus desejos, mobiliza minhas paixões, serve aos meus interesses. Por trás da força de convicção com que acreditamos naquilo que o preconceito nos faz acreditar está uma razão prática e, portanto, justamente em conseqüência desta razão prática, uma predisposição a acreditar na opinião que o preconceito transmite. Esta predisposição a acreditar também pode ser chamada de prevenção. Preconceito e prevenção estão habitualmente ligados entre si. O preconceito enraíza-se mais facilmente naqueles que já estão favoravelmente predispostos a aceitá-lo. Também por isso, o preconceito como opinião errônea aceita fortemente como verdadeira distingue-se das outras formas de erro porque nestas geralmente não há prevenção: e justamente porque não há prevenção, elas são mais facilmente corrigíveis.”

...

Conseqüências do preconceito

... As conseqüências nocivas do preconceito podem ser distribuídas em três níveis diversos, que distingo por grau de gravidade ou de intensidade.

Começa-se pela discriminação jurídica. Em todas as legislações modernas, existe um princípio segundo o qual todos são iguais perante a lei. Este princípio quer dizer que todos devem gozar dos mesmos direitos. Um dos efeitos de uma discriminação é que alguns são excluídos do gozo de certos direitos.

... Uma segunda conseqüência, ainda mais grave, da discriminação é a marginalização social.

... A terceira fase do processo de discriminação – a mais grave – é a perseguição política. Aqui, entendo por perseguição política o uso também da força para esmagar uma minoria de desiguais.”

Considero preciosos esses momentos de reflexão. Como pessoa, como participante de um projeto de nação e de mundo, como eleita para redimensionar o papel do estado, onde importante e necessário.

Um brinde contra todas as formas de preconceito! Pelo direito à felicidade!

 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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24/06/2006 às 20h43min
Wilmar Alves

A porta sempre aberta...

Perdi já no tempo há quantos anos temos amizade, essa grande família Alves e Noleto. É uma gente incrível.

A casa do Wilmar e da Nonô fica sempre de portas abertas. No sentido literal da palavra. Em tempos que as pessoas falam tanto do medo dos desconhecidos, de crimes e assombramentos, a gente entra sem bater e é recebido sempre por abraços afetuosos, gestos de acolhimento. Essa é uma marca que chama muito a atenção, porque seguida de sorrisos e lugares pra sentar.

Na época do Sal & Doce, um barzinho pequeno e do jeito que a gente gostava, iam pra lá tantas pessoas que parecia um milagre caber lá dentro. Tinha o Wilmar, a Nonô, a Vanilda, Regina Bessa, Elias Rassi, Armando Araújo, Renato e Léo, Lúcio e Maria Helena, Pedro, Maria do Amparo, Álvaro, Martiniano Rossi, Cida... E outras muitas pessoas, todas animadas. Ali se comemorava aniversário, fazia amigo secreto de natal, brindava crianças que nasciam, discutia política, ouvia música, conversava sobre arte e comunicação.

Tinha também, numa época, o Bloco de Carnaval, formado principalmente por jornalistas e radialistas, seguidos por nós outr@s, com porta-estandarte e outras alegorias. Ali, me lembro (se a memória não me trai), dentre outros, a Conceição, Malu, Spada, Zequinha, Estela... Uma corrente de alegria abrindo o carnaval de Goiânia na rua, com mensagens bem diretas, de acordo com o momento.

E as festas de fundo de quintal? Impossível esquecer as milhares de festas que a família sempre dá, encontrando motivos para se reunir e chamar os amigos. Parece que alugam ou compram casas que precisam ter grandes quintais. E lá vamos nós, recebidos amorosamente, com brindes e sempre muita música e histórias, piadas. Atravessam a noite e o dia com pura alegria. Há aqueles que não tomam uma gota de cerveja, como o Olavo, e passam todo o tempo no batuque, animando esses encontros.

Desse modo me lembro sempre do Wilmar. Um sorriso delicado, olhar perspicaz, pronto para uma boa risada. Quantas sensações e experiências aquele olhar e aquele sorriso escondiam? Nunca tive coragem de perguntar a ele sobre o período de sua prisão política. Tivemos muitíssimas oportunidades, mas não me parecia justo pedir a ele qualquer lembrança. Não sei. Acho que um respeito a uma pessoa tão forte, ética, desejosa sempre de um mundo melhor.

O jornalista Wilmar Alves sabia de tudo o que acontecia com o meio que escolheu. Assumiu funções as mais diferenciadas na comunicação. Sabia o que queria e como devia ser. Talvez por isso tenha sido um dos principais responsáveis pelo Código de Ética dos Jornalistas.

Gostaria de falar em poesia e música como o Wilmar, a Nonô, o Olavo, o Frederico, o Guilherme e todos os filhos e filhas adotados em seu coração. São importantes em sua beleza profunda, dos que amam a vida e pensam nas outras pessoas como gente, muito superiores a qualquer patrimônio material, dinheiro ou postos de destaque.

Dona Hilda, Vilma, Vânia e Vanilda, e, agora, a Carolina: mãe, irmãs, sobrinha do Wilmar, repletas de seu conhecimento e afeto!

A Bárbara, filha da Rosana e Olavo, irmã de Ana Júlia, fazia carinhos nas pessoas que choravam, na despedida do avô. Terá herdado também essa força?

Fiquei observando, com muita dor no coração, sobrinhos, sobrinhas, cunhadas, amigos, tanta gente chorando a ida do Wilmar. Parece que a dor não vai, mas ele estava lá, sorrindo da Nonô na foto dos 50 anos feita pôster e inerte, com as bandeiras do PT e da CUT.

Sabe, Wilmar, você está presente! Um tanto em cada um e cada uma de nós.

Obrigada pela honra de ter convivido com você e sua família. Obrigada por seus ensinamentos.


 
Autor(a): Marina Sant´Anna

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22/06/2006 às 20h43min
Júlio Vilela

A comoção na despedida de Júlio Vilela continha nó na garganta, tristeza por não vê-lo mais, saudade desde logo.

Vi o Júlio Vilela em muitas situações, mas a primeira vez que assisti seu espetáculo, estava com amigos muito queridos e ficamos sabendo que o Padre César Garcia seria entrevistado no Jú Onze e 24, no Martim Cererê. Pensamos que seria divertido, por vermos um sacerdote no palco com transformistas já famosos na cidade pela comédia de bom tom, orquestrada pelo Jú. Foi melhor ainda do que esperávamos, porque o Jú fez uma entrevista inteligente, antenada com a comunicação fácil e sincera do Padre César, e em seguida, muita risada pelas brincadeiras n